Merkel diz que Brexit é um 'golpe contra a Europa'; veja repercussão

 Brexit é um 'golpe contra a Europa e o processo de unificação', diz Merkel (Foto: Hannibal Hanschke/Reuters)
A vitória da "Brexit" – a saída do Reino Unido do bloco europeu – é um "golpe contra a Europa, um golpe contra o processo de unificação europeia", afirmou nesta sexta-feira (24) a chanceler alemã, Angela Merkel.
Ela convidou o presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para uma reunião em Berlim na segunda-feira (27).
"Tomamos nota com pesar da decisão da maioria da população britânica", declarou Merkel. 

Referendo
 Em decisão histórica, que tem potencial para mudar o rumo da geopolítica mundial pelas próximas décadas, os britânicos decidiram em referendo deixar a União Europeia, com 51,9% dos votos. O resultado foi divulgado por volta das 3h desta sexta. A opção de "sair" venceu por mais de 1,2 milhão de votos de diferença. A decisão ficou conhecida como "Brexit", que é a junção das palavras em inglês "Britain" (Grã-Bretanha) e "exit" (saída).

                                                                         Repercussão
Outros líderes mundiais também comentaram a decisão dos britânicos de o país deixar a União Europeia; veja:

Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk:
 
"Estamos determinados a manter nossa união como 27 (países)...  Irei propor que iniciemos um período de reflexão mais ampla sobre o futuro de nossa união."
Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz:
"Acredito que agora as negociações sobre a saída irão começar rapidamente."
       
Nigel Farage, líder do partido britânico Anti-UE Ukip:
"A UE está fracassando, a UE está morrendo".
Presidente dos EUA, Barack Obama:
Obama disse em comunicado que respeita a decisão do povo britânico e afirmou que tanto o Reino Unido quanto a UE "vão continuar sendo parceiros indispensáveis dos EUA". "A relação especial entre EUA e Reino Unido é duradoura e a filiação do Reino Unido à Otan continua sendo uma pedra fundamental da política econômica, exterior e de segurança dos Estados Unidos", destacou ainda.

Presidente da França, François Hollande:
"A Europa deve ser compreendida e controlada por seus cidadãos. A Europa precisa agir rapidamente onde é necessário e deve, uma vez por todas, deixar os Estados membros lidarem com o que é seu domínio exclusivo", disse em discurso transmitido pela televisão.

Ministério das Relações Exteriores do Brasil
O Itamaraty afirmou que "recebe com respeito" o resultado do referendo e que manterá boas relações com a UE e com o Reino Unido. "O Brasil confia que essa decisão não irá deter o processo de integração europeia, nem o espírito de abertura ao mundo que caracterizam, e devem continuar a caracterizar, tanto o Reino Unido como a UE. Confia, igualmente, que todos os esforços serão feitos para assegurar uma transição suave e estável", diz comunicado.

Marine Le Pen, líder do partido francês de extrema direita Frente Nacional:
"A vitória da liberdade! Agora precisamos realizar o mesmo referendo na França e em (outros) países da UE."

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier:
"A notícia vinda do Reino Unido é realmente atordoante. Parece um dia triste para a Europa e o Reino Unido".
Ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault:
"A Europa irá continuar, mas precisa reagir e redescobrir a confiança de seus povos. Isso é urgente."

Ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble:
"Eu esperava um resultado diferente. Agora precisamos olhar para a frente e lidar com esta situação..."
"O processo da UE para a saída (de um país) da União Europeia está definido claramente e será implementado. A Europa irá se mostrar unida agora."
        
Primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg:
"(É um) sinal tanto dos eleitores britânicos quanto de muitos outros de toda a Europa que sentem que a UE não está proporcionando respostas boas o suficiente para os desafios de hoje."
      
Primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban:
"Bruxelas precisa ouvir a voz do povo, esta é a maior lição desta decisão..."
"A Europa só é forte se puder dar respostas a grandes questões, como a imigração, que fortaleceriam a própria Europa, ao invés de enfraquecê-la. A UE não foi capaz de dar estas respostas."
      
Ministro das Relações Exteriores da Polônia, Witold Waszczykowski:
"Está é uma má notícia para a Europa, para a Polônia... tentaremos usar esta situação para conscientizar os políticos europeus da razão de isto ter acontecido. E aconteceu porque este conceito, que foi criado algum tempo atrás, não é mais popular na Europa."
Ministra sueca para a UE, Ann Linde:
"Precisamos mostrar às pessoas por que acreditamos que a UE é importante, por que precisamos permanecer. Temos que olhar as coisas que importam na vida cotidiana das pessoas, talvez onde tem havido ambiguidades, onde tem havido arrogância e onde as pessoas têm sentido que tem havido um projeto elitista... é uma situação muito séria para a Grã-Bretanha, mas também para a UE."
Primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon:
 "A Escócia deu um voto forte, inequívoco para permanecer na UE, e elogio esse endosso ao nosso status europeu."
Gianni Pittella, líder dos socialistas e democratas no Parlamento Europeu:
 "É triste, mas não é o enterro da União Europeia."

Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan:
Erdogan disse que a União Europeia inevitavelmente enfrentará mais países saindo do bloco a curto prazo, se continuar no mesmo caminho. Ele ainda afirmou que o bloco está atrasando os esforços por Ancara (capital turca) devido à islamofobia.

Hillary Clinton, provável candidata democrata à Presidência dos EUA
Hillary afirmou que respeita a decisão do Reino Unido de deixar a UE e disse estar comprometida em manter as relações norte-americanas com o Reino Unido e países europeus. "Nossa primeira tarefa é garantir que a incerteza econômica criada por estes eventos não afete famílias trabalhadoras nos EUA", disse ela, em comunicado.

Donald Trump, provável candidato republicano à Presidência dos EUA
Em visita à Escócia, Trump afirmou que existem semelhanças entre sua campanha e a Brexit. "Vejo um paralelo real", disse. "As pessoas querem recuperar seu país, querem a independência", afirmou.