Pai de Alok organizou festival próximo à Faixa de Gaza?


O evento em que Petrillo iria tocar, chamado “Universo Paralello”, acontecia na região do kibutz Re’im, a metros da Faixa de Gaza, e terminou com mais de 260 mortos — entre eles, um brasileiro e uma brasileira.

Essa era a primeira edição em Israel do festival de música eletrônica, criado há 23 anos, no Brasil, pelos pais de Alok.

“Em meio a tudo isso, está circulando uma fake news de que o meu pai era o responsável e produtor do festival, o que não é verdade, como vocês podem ver na mídia internacional. Não associem meu pai a isso”, diz Alok.

“Surreal”, disse pai de Alok sobre ataques

No dia 7 de outubro, Juarez Petrillo compartilhou em suas redes sociais que estava em Israel, dia em que o país sofreu ataques do Hamas.

O DJ dividiu com seus seguidores imagens do momento em que estava prestes a tocar no festival. “Universo Paralello Israel… estou em choque até agora!! E as bombas não param de explodir… depois conto mais detalhes”, escreveu ele no post.

Momentos depois, Juarez apareceu nos stories do Instagram e falou um pouco mais sobre a situação. Ele revelou que o festival foi cancelado e que é a primeira vez que vive uma situação dessas.

Pai organizou festival próximo à Faixa de Gaza?

“Surreal. Era para eu estar tocando, mas o line up atrasou 1 hora. Já estava no palco para tocar”, disse. “Foi a primeira vez que a acontece isso, nunca uma festa parou assim! Sei nem o que dizer”, disse.

Saiba tudo sobre o festival criado pelos pais de Alok

Festival foi criado no Brasil há mais de 20 anos

Há 23 anos, foi criado em Goiás um festival influenciado pela vertente da música eletrônica chamada de “trance”. Entre os fundadores do evento estavam Juarez Petrillo, o DJ Swarup, e Adriana Peres Franco, a DJ Ekanta – pais dos irmãos gêmeos e também DJs goianos, Alok e Bhaskar.

Após as primeiras edições, o evento foi transferido para a praia de Pratigi, no município baiano de Ituberá, onde ganhou corpo e se consolidou como um dos festivais mais importantes de música eletrônica na América Latina.

A próxima edição brasileira acontecerá entre os dias 27 de dezembro e 3 de janeiro, ocupando uma área de 3 quilômetros de extensão “em uma comunidade construída especialmente para receber os convidados”.

Ao longo dos anos, o Universo Paralello começou a ser realizado também em outros países, como França, Argentina, Espanha e Portugal, por exemplo. 

Festival chegava a Israel pela primeira vez; pai de Alok estava no line-up

No sábado (7), organizado pela produtora israelense “Tribe of Nova”, aconteceu a primeira edição do Universo Paralello em Israel.

Com o local anunciado poucos dias antes, o evento aconteceu em um terreno na região sul do país, próximo à Faixa de Gaza.

“O lendário festival Universo Paralello, do Brasil, está prestes a aterrissar em nosso pequeno país! Parte integrante da nossa visão tribal contínua é a criação de eventos inesquecíveis e de quebra de rotina, cheios de boas notícias e com padrões internacionais”, escreveram os organizadores na página do evento.

“A Tribe of Nova convida todos vocês a mergulhar conosco em uma jornada de união e amor que combina um local novo e espetacular, a melhor música do mundo, performances artísticas extraordinárias e multifacetadas e muitos outros conteúdos alucinantes e de tirar o fôlego”, concluíram.

Entre as atrações, constavam DJs de diversos países, como Japão, França, Inglaterra, por exemplo. O único representante brasileiro era o DJ Swarup, pai de Alok.

Festival foi licenciado para produtora de Israel, explicam organizadores do Universo Paralello

Após o ataque do Hamas, os organizadores brasileiros do Universo Paralello publicaram uma nota nas redes sociais afirmando estarem “profundamente chocados com os últimos acontecimentos em Israel envolvendo ataques simultâneos sem precedentes em diversas regiões do país pelo Hamas”.

“Como muitos de vocês sabem, o evento “Tribe of Nova edição Universo Paralello” estava sendo realizada na região Sul, próximo a Faixa de Gaza no último dia 6, um dos lugares atacados. Israel é reconhecida mundialmente por grandes eventos de música eletrônica e o local é conhecido por realizar diversos deles, tendo no dia anterior acontecido um festival com mesmo perfil NO MESMO LOCAL”, escreveram.

“O Universo Paralello sempre licenciou sua marca para eventos fora do Brasil onde um produtor é responsável pela organização e contratação de artistas vinculados, como aconteceu no caso do Swarup. A marca foi licenciada e o DJ contratado pela produção israelense da “Tribe of Nova”, assim como aconteceu na Índia em 2015, Argentina em 2022 e 2023, Espanha em 2022, Portugal em 2022 e 2023, Tailândia em 2023, México em 2022, França em 2016 e 2023 e Israel em 2023″, acrescentaram.

Com a repercussão do conflito, o DJ Alok também foi às redes sociais. Ele voltou a destacar que seu pai foi ao evento como artista contratado.

“Ele está seguro em um bunker aguardando direcionamento para retornar ao Brasil”, escreveu o artista. O governo brasileiro disse, nesta segunda (9), que mais de 1.700 pessoas aguardam ajuda para deixar Israel.

Após ataque do Hamas, mais de 260 corpos foram encontrados no local do festival

Ao menos 260 corpos foram encontrados no local do festival, segundo o serviço de resgate israelense Zaka. Alguns participantes foram feitos reféns, vistos em vídeos nas redes sociais sendo apreendidos por seus captores armados.

Explosões podem ser ouvidas em um vídeo feito pela jovem Tal Gably, dela e de amigos caminhando pelo recinto de concertos que se esvazia rapidamente, a cerca de três quilômetros da fronteira.

Quando os participantes fugiram em seus carros, Gably disse que as estradas ficaram obstruídas e ninguém conseguia se mover. Foi então que os tiros começaram, ela diz.

O Hamas mantém mais de 100 reféns israelenses em Gaza, incluindo oficiais de alto escalão do exército, afirmou um porta-voz do grupo militante no domingo.

Além dos cativos israelenses, há também outras nacionalidades que se acredita terem sido feitas reféns, incluindo cidadãos mexicanos e brasileiros – complicando a resposta de Israel ao ataque do Hamas.

Fontes:

*Partes da matéria "publicado por Tiago Tortella, da CNN"

*Partes da matéria " informações de Léo Lopes, da CNN"










Israel mata família de um dos líderes do Hamas e diz ter destruído sistema de defesa de Gaza

Destruição das defesas inviabiliza identificação e interceptação de ataques aéreos. Novos bombardeios foram registrados na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (11).

Bombardeio israelense atinge a Faixa de Gaza, em 11 de outubro de 2023 — Foto: REUTERS/Saleh Salem


  Israel afirmou nesta quarta-feira (11) ter conseguido destruir um avançado sistema de defesa para detecção de aeronaves desenvolvido pelo Hamas. Este é o quinto dia de conflito no Oriente Médio, que já deixou mais de 2 mil mortos.

  Com o ataque de Israel, o Hamas deve enfrentar dificuldades para conseguir monitorar o céu sobre a Faixa de Gaza e identificar aeronaves militares.

  Ao longo dos anos, o Hamas criou uma rede de câmaras de alta qualidade, escondidas dentro de aquecedores solares de água por toda a Faixa de Gaza, a fim de localizar e monitorizar as aeronaves israelitas ", disse o grupo terrorista.




As Forças de Defesa de Israel afirmaram ainda ter feitos novos bombardeios contra a Faixa de Gaza, destruindo alvos ligados ao Hamas, mas autoridades locais falam de diversos alvos civis. Foram mais de 400 ataques nas últimas 24 horas, sendo ao menos 200 só nesta quarta.


Um dos ataques israelenses, segundo autoridades do Hamas, atingiu a casa da família de Mohammad Deifum dos dois líderes militares do grupo terrorista


O bombardeio matou o pai e o irmão de Deif, além de outros dois parentes. O paradeiro de Deif segue desconhecido.


Em entrevista ao jornal "Israel Hayom", o contra-almirante Daniel Hagari disse que a segurança foi reforçada em todas as comunidades de Israel, enquanto as hostilidades de rivais se espalham por outros frentes de batalha.


▶️ Como foi o ataque? As ações se concentraram perto da fronteira da Faixa Gaza, de onde Hamas lançou 5 mil foguetes.

  •   - Por terra, ar e mar, com motos e parapentes, homens armados invadiram o território israelense pelo sul do país.

  •    - Houve relatos de que os invasores atiraram em pessoas que estavam nas ruas e sequestraram dezenas de israelenses (incluindo mulheres e crianças), levados como reféns para Gaza.

▶️ Como foi a resposta de Israel? Diante da ofensiva do Hamas, o governo israelense iniciou uma retaliação.

  •   - "Estamos em guerra e vamos ganhar", disse o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, logo após o ataque.

  •   - "O nosso inimigo pagará um preço que nunca conheceu."

  •    - Ainda em 7 de outubro, Israel lançou bombas em direção à Faixa de Gaza.

▶️ Quantas pessoas morreram? O balanço mais recente das autoridades locais indicava, na manhã desta terça-feira, que mais de 2.300 pessoas morreram. Mais de 1.200 foram em Israel. O Ministério da Saúde de Gaza informou ter registrado 1.100 mortes de palestinos.


▶️ O que é e onde fica Faixa de Gaza? É o território palestino localizado em um estreito pedaço de terra na costa oeste de Israel, na fronteira com o Egito.


  •   - Marcado por pobreza e superpopulação, tem 2 milhões de habitantes morando em um território de 360 km².

  •   - Para se ter uma ideia desse tamanho em comparação com cidades brasileiras, o território é um pouco maior que o da cidade de Fortaleza (312,4 km²) e menor que o de Curitiba (434,8 km²).

  •   - Tomada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e entregue aos palestinos em 2005, Gaza vive um bloqueio de bens e serviços imposto por seus vizinhos de fronteira.

▶️ Qual é o histórico do conflito na região? A disputa entre Israel e Palestina se estende há décadas e já resultou em inúmeros enfrentamentos armados e mortes.


  •   - Em sua forma moderna, remonta a 1947, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs a criação de dois Estados, um judeu e um árabe, na Palestina, sob mandato britânico.