Brasil tem pedido rejeitado e fala que haverá 'sombra' na relação com a Indonésia

Condenação

Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi condenado em 2004 por tráfico de drogas ao tentar entrar no país com 13,4 kg de cocaína.
Seu fuzilamento está marcado para este domingo, à revelia dos pedidos da presidente Dilma Rousseff que, após uma semana de tentativas, apelou pessoalmente ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, para que a vida de Moreira fosse poupada.
Em vão, os pedidos da presidente também se referiam ao paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, cuja execução pode acontecer em fevereiro.
A administração da petista foi alvo de boa parte dos ataques nas redes sociais.
"Parabéns à Indonésia, que dá uma lição ao Brasil de como se deve tratar os traficantes", escreveu um leitor. "Vamos importar o presidente da Indonésia pro nosso Brasil", afirmou outro.
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Caso a pena de Archer seja cumprida, será o primeiro brasileiro executado por um governo estrangeiro

Contradição

Pesquisa feita pelo instituto Datafolha em outubro de 2014 apontou que 43% dos brasileiros acreditam que a pena de morte seria a melhor forma de punição para indivíduos que cometem crimes graves (em novembro de 2013 eram 47%).
Segundo o mesmo levantamento, na opinião de 52% dos entrevistados não caberia à Justiça matar uma pessoa, mesmo em caso de crime considerado grave.
A maior agressividade nas posições expressadas pela internet e diferença entre o resultado nas ruas e nas redes sociais não são surpresa para Ana Freitas, especialista em comportamento e mídias digitais.
Para ela, estas opiniões, diferente de revelarem a posição da maioria, mostrariam apenas que os adeptos de "soluções" extremas teriam mais disposição em se expor na internet do que os moderados ou sem opinião definida.
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Comoção

"Há pessoas que gritam mais alto, mas só por isso elas são maioria?", pergunta Freitas. "Os extremistas vão sempre querer se impor, é característica deles, eles querem ser ouvidos. Como recorte, portanto, os comentários não necessariamente correspondem à realidade", diz.
A especialista também alerta para a interferência do formato dos comentários online no discurso dos usuários.
"No texto perde-se entonação, por exemplo. Você também não se escuta quando está escrevendo. A caixa de comentários do Facebook ou dos sites de notícias permite que se comece e termine um comentário sem interrupção ou questionamento, é uma lógica despersonalizada. Pessoalmente, no olho no olho, o comentário negativo é mais difícil, mais ponderado.
Ela completa: "A gente perde um pouco a humanidade atrás de uma tela de computador".

Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150116_salasocial_apoiopenademorte_rs