Relatórios comprovam que governo Obama também espionou brasileiros


Brasília - Após uma hora de reunião, hoje (8), em Brasília, sobre a existência de um sistema de espionagem de telefonemas e e-mails de cidadãos brasileiros por parte de agências de informação do governo norte-americano, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil informou à Agência Brasil que aguarda “instruções de Washington” para se manifestar.
O governo norte-americano havia informado ontem (7) que não responderá publicamente ao pedido de esclarecimento apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores sobre o tema.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, está hoje em Belo Horizonte para uma palestra sobre política externa na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ontem, o chanceler disse que foram solicitados esclarecimentos aos Estados Unidos por intermédio da Embaixada do Brasil em Washington e também ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
Patriota admitiu que recebeu com “grave preocupação” as informações de que contatos eletrônicos e telefônicos de cidadãos brasileiros estariam sendo monitorados. O ministro disse que o governo do Brasil apresentará iniciativas na Organização das Nações Unidas (ONU) pelo estabelecimento de normas claras de comportamento para os países quanto à privacidade das comunicações dos cidadãos e a preservação da soberania dos demais Estados.
O Itamaraty pretende ainda pedir à União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Genebra, na Suíça, o aperfeiçoamento de regras multilaterais sobre segurança das telecomunicações. As informações sobre espionagem a cidadãos brasileiros vieram à tona a três meses da primeira visita de Estado da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos. A visita da presidenta está prevista para 23 de outubro e foi confirmada pelas autoridades. A visita de Estado é considerada pelos norte-americanos como especial por ser autorizada apenas a alguns parceiros.